Artigos Técnicos

Seu Almoxarifado ainda encontra-se no período Paleozoico


Artigo escrito por Marco Antonio Oliveira Neves, Diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda

Embora assuma importante papel para o funcionamento das empresas, os Almoxarifados sempre foram vistos como um local para o acúmulo de uma infinidade de materiais.

Muitos desses materiais estocados estão totalmente fora do propósito inicial de seu escopo de atuação, que é normalmente voltada para o abastecimento de suprimentos diversos, não-produtivos, como materiais de escritório, produtos de limpeza e higiene pessoal, equipamentos de proteção individual (EPIs), peças e material sobressalente para máquinas, material elétrico, etc. Alguns almoxarifados até estocam água mineral, café, açúcar, achocolatados e biscoitos, e outros, ainda são responsáveis pelo acondicionamento e manuseio de alimentos utilizados na preparação das refeições nos restaurantes industriais. Em algumas empresas as matérias-primas e embalagens também são estocadas em Almoxarifados específicos, centralizados ou pulverizados entre diversas estações de trabalho.

Como afirmei no início deste artigo, os Almoxarifados têm grande importância no dia-a-dia das empresas, cabendo a eles três atividades básicas:

1) Receber, conferir e acondicionar de forma adequada os materiais adquiridos pela empresa

2) Atender às requisições dos Clientes internos, conforme fluxo documental determinado pela empresa, que inclui o preenchimento das requisições de materiais e a coleta das assinaturas autorizando a liberação e entrega dos materiais solicitados

3) Manutenção dos registros e documentos necessários, de forma a garantir a confiabilidade dos dados de estoques informados

Ainda encontra-se numa "zona cinzenta" a questão da manutenção do cadastro de materiais. A quem cabe essa tarefa? Muito atribuem ao departamento de Compras e outros à Engenharia Industrial; alguns delegam à área de PCP ou ao próprio Almoxarifado. Discussões à parte, o importante é que exista um PDM - Padrão Descritivo de Materiais, para identificar e classificar de forma inequívoca os materiais movimentados. E que exista um único dono disso. Podem chamá-lo de guardião ou pit bull, mas precisa ser uma ou no máximo duas pessoas unicamente responsáveis!

A grande maioria dos Almoxarifados no Brasil literalmente está parada no tempo! Instalações antigas e ultrapassadas, pessoal pouco qualificado e baixa aplicação tecnológica. Essa é a realidade tupiniquim! A maior parte dos nossos Almoxarifados ainda depende da memória do operador (ou almoxarife) para identificar o local onde se encontra determinado material. Pouquíssimas operações de Almoxarifado no Brasil contam com um software WMS - Warehouse Management System. Muitos ainda operam no velho e confiável sistema Kardex, anotando as entradas e saídas nas fichas individuais destinadas a cada material. Parece mentira, não é? Infelizmente não. Muitas operações ainda vivem o período Paleozóico, com controles totalmente manuais. Podem até funcionar e produzir bons indicadores de desempenho, mas a pergunta é, até quando?

Como a quase totalidade dos almoxarifados não passou por um planejamento de longo prazo e sequer é citado em um Plano Diretor de Logística (PDL), outro problema enfrentado é a precariedade da infra-estrutura e a falta de espaço físico. Muitos deles ainda operam com prateleiras com 30 a 40 anos de idade. Entre 1970 e 1980 talvez devêssemos ter 2.000 ou 3.000 itens diferentes em estoque, hoje já devemos ter ultrapassado o patamar de 10.000; algumas empresas de grande porte reportam ais de 30.000 itens! E o que foi feito para melhorar a otimização cúbica do Almoxarifado? Aperta-se daqui e de lá. Colocam-se materiais sob as bancadas e escadas, usam corredores, alugam enlonados, etc. Até quando adiaremos o problema?

A questão da movimentação de materiais é também outro fator preocupante. Observamos a utilização de muitos equipamentos ultrapassados e obsoletos. Alguns deles em péssimo estado, e que sobrevivem à custa de caras intervenções e reformas.Também testemunhamos o desrespeito a questões ergonômicas e à segurança pessoal. Mas também presenciamos baixo throughput (processamentos de entrada e saída) devido a falhas no layout operacional, desorganização do armazém, problemas na supervisão e liderança da equipe, desconhecimento de novos métodos de execução e das melhores práticas de mercado, etc.

Essa é uma questão importante... e a capacitação de seu pessoal? Qual a última vez que eles foram atualizados no tema Gestão de Almoxarifados em cursos externos ou cursos in-company?

Avançando um pouco mais sobre a gestão do Almoxarifado, quais os indicadores de desempenho medidos? Existem indicadores tratando do atendimento aos pedidos internos, acuracidade do inventário, capacidade de processamento, aproveitamento do espaço cúbico, etc.?

Pois é, esta é a triste realidade. Não se assuste se daqui a alguns anos você encontrar um filhote de dinossauro dentro do seu Almoxarifado. Não deixa de ser um avanço! Isso significa que você estará chegando na Era Mesozóica, tendo ainda à frente os períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo, estando ainda a milhões de anos da modernidade!



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